PERGUNTAS QUE NÃO PODEM SER FEITAS EM UMA ENTREVISTA DE EMPREGO

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Ana Flavia Tanimoto Algarte

Uma entrevista de emprego deve cumprir o único propósito de selecionar os candidatos mais aptos a ocupar o cargo oferecido pela empresa. Por isso, é preciso cuidado na realização da entrevista e das perguntas, para que o candidato não se sinta desconfortável e para que a proposta seja cumprida.

Não são permitidas perguntas íntimas ou pessoais, como as relacionadas a convicção religiosa, orientação sexual, posicionamento político ou de natureza familiar, se o candidato ou candidata é casado, possui interesse em se casar, se tem filho ou pretende ter.

Principalmente no caso das mulheres é muito comum que o entrevistador faça perguntas com relação a casamento e filhos, mas essa conduta é evidentemente discriminatória. A mulher entrevistada tem o direito de se recusar a responder e é possível reivindicar danos morais pelo constrangimento e discriminação de gênero.

Além disso, não são permitidas perguntas de cunho político, como o partido com o qual o entrevistado se identifica, o por que, qual a sua visão sobre o governo brasileiro atual e o anterior. Todas essas são perguntas extremamente íntimas e irrelevantes para um ambiente de trabalho, a não ser que a vaga oferecida seja para efetivamente trabalhar em um partido político, caso contrário não há motivo para perguntas de teor político, são consideradas discriminatórias.

Por fim, mas não menos importante, não pode ser perguntado ao candidato se ele já ajuizou ação trabalhista, o acesso à justiça é um direito de todos assegurado na Constituição Federal, e uso desse direito não pode ser utilizado como parâmetro de desclassificação de um candidato.

Em resumo, é normal que o entrevistador busque fazer algumas perguntas que não estejam diretamente relacionadas ao trabalho, com o objetivo de descontração ou conhecer melhor o perfil do entrevistado. No entanto, as perguntas não podem gerar qualquer tipo de constrangimento ao candidato, invadir a sua intimidade ou ser capaz de gerar uma conduta discriminatória.

O entrevistado, necessitando do trabalho oferecido e da renda para seu sustento, pode se ver coagido a responder perguntas que não se sente confortável, mas não é obrigado, podendo inclusive ajuizar ação de indenização por danos morais caso se sinta desconfortável ou discriminado durante a entrevista.

Já o empregador, precisa ter cuidado na realização das entrevistas de emprego, saber quem realizará a entrevista, quais perguntas serão feitas, e, se possível, consultar um advogado trabalhista para uma assessoria jurídica específica.

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